Dia do sacerdote


Salve, salve Galerinha do Bem!!!

Hoje escrevo sobre uma data especial para mim, da qual só tomei conhecimento porque meu Pai de Santo postou uma mensagem em sua rede social felicitando a todos os sacerdotes presentes em seu rol de amigos pela data, que é o Dia do Sacerdote.

Fui coroado Pai pelas mãos do Caboclo Pena Verde de Mãe Rosangela a quem devo muita gratidão e respeito por todo o carinho e acolhimento que recebi durante o tempo que passei no Terreiro de Mamãe Oxum e Caboclo Pena Verde. Minha coroação ocorreu no dia 16/12/2009, no Santuário Nacional da Umbanda no Bairro do Montanhão em Santo André, durante uma obrigação aos guias chefes de coroa.

Ser sacerdote é muito mais que vestir uma roupa bonita, portar fios de contas lindos. Ser sacerdote ou como chamamos na Umbanda Pai ou Mãe no Santo é levantar todos os dias e agradecer a Nzambi por mais este dia poder cuidar dos Orixás e seus filhos a nós confiados.

Infelizmente muitos filhos de santo veem no "grau" ou "cargo" de sacerdote uma posição de status ou de privilégios mas não enxergam as responsabilidades e deveres que vêm junto com o sacerdócio. O que os filhos de santo geralmente não enxergam é que muitas vezes estamos cansados após um dia de trabalho (material) ou de atendimentos (espirituais) e mesmo assim encontramos tempo para atendê-los pelo telefone ou pessoalmente no terreiro para ouvir suas angústias e ansiedades.

Porém, infelizmente ou felizmente, somos humanos e precisamos descansar ou até mesmo ficamos doentes e nesse momento em que pedimos sua compreensão, muitas vezes, nos vemos diante de sua incompreensão e a partir desse momento deixamos de ser os pais amorosos e zelosos e passamos a ser os piores pais que já existiram. Não contentes saem por aí dizendo que não zelamos por nossos filhos.

Nem por isso nos deixamos abalar e seguimos nossas vidas levando a diante a responsabilidade confiada por nossos Orixás e Guias sempre buscando fazer o melhor, com amor e fé dentro de nossas limitações humanas.

Por vezes somos alvo de perseguições de vizinhos ou fanáticos religiosos fundamentalistas que em vez de pregar o amor e a compaixão pregam a nossa condenação como "criminosos da fé" apenas por não termos na Bíblia nosso livro sagrado, por termos em nossos Orixás, que vivem dentro de nós e na natureza a nossa escritura mais sagrada, por nossos ensinamentos serem transmitidos através das tradições, da oralidade.

Ainda assim encontramos força e dignidade para levantar a cabeça, pegar uma vassoura, varrer os cacos do que se quebrou e reconstruir com amor e fé o que foi destruído por ódio e intolerância, porém sem nunca nos subjugar a quem quer que seja, pois aprendemos com nossos ancestrais que não reagir não é se acovardar, mas uma forma de resistir. E resistiremos até o fim de nossos dias quando nosso Orixá virá nos buscar no momento em que chegarmos ao fim de nossa missão.

Ser sacerdote em religião de matriz é muito mais do que as pessoas veem. É levar a diante uma bandeira, uma ancestralidade, uma hereditariedade. É ser humilde, firme, correto, perseverante, grato, entre tantas outras características que vamos adquirindo com o passar do tempo e nosso amadurecimento pessoal e espiritual.

A todos os Pais e Mães de Santo que acompanham o meu abraço e a todos os filhos de santo meu carinho.

Cabe, em tempo, ressaltar que é fundamental cuidar dos mais novos no axé, por que deles depende a continuidade de nossas tradições.

Abraços fraternos



Pai Daniel
O Japa Umbandista.

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