Mediunidade não é brinquedo nem castigo!

Salve, salve, Galerinha do bem!


Tudo bem?


Hoje quero falar sobre a mediunidade. Esse é um assunto que com certeza deve ser motivo de dúvidas, angústias, inseguranças, medos para a maioria dos iniciantes nos caminhos de Orixá. Os motivos que levam novos iniciantes a buscarem as religiões de matriz africana são os mais diversos, sendo o mais comum, serem levados pela doença ou pelos problemas provocados pela mediunidade que carece desenvolvimento.

Não podemos esquecer daqueles que já nascem dentro de um terreiro de Umbanda ou uma roça de Candomblé e já estão acostumados com o tratamento dado à mediunidade no dia a dia espiritual, porém não quer dizer que não passem pelos problemas citados há pouco.

Embora existam fundamentos próprios o exercício mediúnico é uma das formas pela qual é realizado o contato entre o Orun e o Aye (Céu e Terra) seja através da manifestação de Orixás ou de Guias Espirituais nas seções de atendimento. Esse é um ponto que de certa forma nos une aos Espíritas, mas não nos faz espíritas, portanto é errado responder que somos espíritas quando somos indagados sobre nossa religiosidade.

A mediunidade é um dom concedido a nós pelo Pai Criador, Deus, Olorum, Nzambi, como queiram chamar, para nos auxiliar na caminhada espiritual. É muito comum para os iniciantes acreditarem que apenas a mediunidade de incorporação tem valor dentro de um terreiro ou que seja a única forma de mediunidade existente.

Existem vários tipos de mediunidade, sendo a mais comum, a de incorporação, mas há os médiuns videntes, os clariaudientes, os pictógrafos, os psicógrafos, os médiuns de cura, entre outras tantas formas de mediunidades existentes. Então não há motivo para pânico caso você não sinta as vibrações de incorporação, você pode ter outro tipo de mediunidade a ser desenvolvido.

Cabe ressaltar que um terreiro não se faz apenas de médiuns incorporantes ou rodantes é imprescindível o auxílio dos cambonos, dos Ogans, das Ekedys, pois sem o auxílio do cambono, dos toques e cantigas dos Ogans e da organização, direcionamento e disciplina das Ekedys as giras seriam um caos.

Uma vez entendido o que acabei de explanar é preciso, de uma vez por todas, compreender que cada médium tem o seu tempo para se desenvolver, portanto, não queira acompanhar o ritmo do médium que nas primeiras giras de desenvolvimento mediúnico já incorpora seu caboclo ou preto velho. Cada médium tem uma sensibilidade diferente e um tempo diferente para compreender o "toque" de cada entidade.

Ao se desenvolver o faça com repeito e seriedade, ouça seu Pai ou Mãe no Santo e seus mais velhos eles podem ter conselhos importantes que podem contribuir muito para seu crescimento mediúnico no dia a dia de terreiro. Faça os banhos indicados, as firmezas recomendadas, e vá de coração aberta e não tenha medo. 

Mediunidade não é, nunca foi e nunca será um castigo, pois ela é uma forma de crescimento espiritual e evolução pessoal através da prática da caridade através da religião. Não aceite que lhes digam isso. 

Algumas pessoas mau intencionadas se valem da "incorporação" para fazer coisas que não têm coragem de fazer quando não incorporadas ou para dizer o que não tem coragem de dizer sem a "desculpa" de estar incorporado. Isso é ERRADO!!! Mediunidade é coisa séria para gente séria como diz Pai Ronaldo Linares.

Bem a princípio era isso que eu queria dizer e compartilhar com vocês. Deixem seus comentários para que eu saiba como vocês vivenciam sua mediunidade ou o que pensam sobre o assunto.


Meu abraço fraterno.



Pai Daniel 
O Japa Umbandista

Comentários

CILENE disse…
MUITO BOM O TEXTO, COM CERTEZA MUITOS PODERIAM SE VALER DA VERDADE E NAO USAR A MEDIUNIDADE PARA DETURPAR NOSSA AMDA RELIGIAO.. SALVE NOSSA AMADA UMBANDA...OBRIGADA POR COMPARTILHAR ESSE TEXTO PAI E MESTRE...
Unknown disse…
Bom dia Pai Daniel

Motumba, Kolofé, Mukuiú, Saravá

o que me preocupa ainda muito com a incorporação é a questão das falsidades e do brilhantismo que alguns médiuns tentam transparecer, fui criado em terreiro de umbanda cruzada, no tempo em que uma calça e camisa brancas, bem como os pés no chão eram suficientes para se louvar os orixás e entidades. Atualmente vejo verdadeiras fantasias de escola de samba nos terreiros, alimentando a vaidade e a ostentação coisas que não fazem parte da espiritualidade. Mas enfim cada um irá pagar pelo que fizer um dia no orum ainda mais utilizando os nomes de entidades de grande sabedoria e firmeza.

Gratidão pelo compartilhamento de suas experiências.

Que Oxalá o abençoe!
paidanieldexango disse…
Alex,

Escrevi um artigo para o blog onde falo sobre a questão luxo x vaidade, que, acredito, vai ao encontro do que você diz em seu comentário.

Realmente hoje em dia, infelizmente, tem muita coisa "mudada" na religião. Mas ainda há muita gente séria fazendo excelentes trabalhos.

Que Xangô o abençoe.

Pai Daniel

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