Atabaques ou tambor?


Salve, salve Galerinha do bem!

Hoje quero falar sobre uma questão que ainda hoje vejo levantar polêmica entre nós umbandistas que é a utilização ou não dos atabaques em nossos atos litúrgicos. Sabemos que a Umbanda é uma religião onde a musicalidade é parte fundamental da liturgia e da identidade cultural religiosa.

Muitas pessoas que chegam à primeira vez a um terreiro e ouvem o som envolvente e ritmado dos atabaques e dos pontos cantados relatam ser uma experiência incomparável e inesquecível. Algumas sentem arrepios, outras se emocionam entre outras reações que afloram nesse momento durante uma gira de Umbanda.

Os atabaques assim como as palamas e os pontos cantados tem grande importância na liturgia
umbandista pois é através da música que evocamos nossos Orixás e Guias para o trabalho em prol do próximo.

Um atabaque dentro de um terreiro de Umbanda não é um simples instrumento de percussão é um instrumento sagrado que promove o contato entre o Orun e o Aiyê para que possa ser feito em nosso benefício o que for de nosso merecimento. O atabaque até estar pronto para ser utilizado no terreiro passa por um processo de limpeza e consagração onde são feitos vários procedimentos religiosos que podem variar de casa para casa e não é meu objetivo ensinar como preparar um atabaque, pois é fundamento que se aprende no terreiro.

Nossas mãos possuem centenas se não milhares de micro chakras (centros de energia) que quando batemos palmas liberam energia a qual é utilizada pelas entidades em seus trabalho no auxílio daquels que procuram nossos terreiros, da mesma foram quando o Ogan bate suas mãos no couro do atabaque além das ondas vibratórias produzidas pelo som há também a liberação de energia das mãos abençoadas de nossos Pais Ogans ajudando ainda mais o trabalho desenvolvido por nossos guias.

Os atabaques também têm a função de movimentar ou levantar a energia no terreiro através de toques mais rápidos e agitados como o barravento ou tranquilos e cadenciados como o ijexá. Devido a esse grande poder é fundamental que o Ogan mais velho na hierarquia da casa esteja em sintonia com os guias chefes do terreiro para perceber a necessidade de sua intervenção através do toque e do canto para auxiliar na gira.

A vibração produzida pelo toque do atabaque também ajuda no processo de incorporação, em
especial de médiuns iniciantes que ainda estão descobrindo sua mediunidade se afinizando e conhecendo a vibração de seu Orixá e guias de trabalho. Essa vibração ajuda a "tirar" um pouco o médium de seu eixo de consciência facilitando, assim, a incorporação.

Os atabaques também tem sua simbologia. São feitos de madeira provenientes de árvores que foram retiradas das matas onde Oxossi é rei, tem o couro que foi extraído de um animal então o atabaque é um instrumento que quando devidamente preparado tem vida e deve ser respeitado, firmado e limpo.

Algumas casas não utilizam os atabaques por determinação dos guias chefes ou da doutrina seguida pelo dirigente, mas eu gostaria de deixar claro que isto não faz desta ou daquela casa melhor do que outra só por que não usa o atabaque em suas cerimônias religiosas. É uma escolha da casa. Se pararem para prestar atenção as casas onde não se utilizam os atabaques as palmas são amplamente empregadas durante toda a gira enquanto se canta, sendo assim, a energia continua sendo movimentada.


Como já dito anteriormente os atabaques são instrumentos sagrados e como tal devem ser tratados com respeito não se deve debruçar, se apoiar ou encostar, nos atabaques, não devemos permitir que pessoas desconhecidas toquem o couro do atabaque e quando não estiverem em uso devem ficar cobertos por um pano branco preservando a sua pureza.

Em um terreiro em geral encontramos um conjunto de três atabaques onde o maior se chama Rum, o médio Rumpi e o menor Le. O Rum é tocado pelo Ogan mais velho da casa e é quem comanda o ritmo e o toque que deve ser dado a cada ponto.


Espero ter ajudado trazendo um pouco mais de informação sobre a importância dos atabaques dentro dos trabalhos umbandistas.

Deixo meu abraço fraterno a todos.



Pai Daniel
O Japa Umbandista

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