Política X Umbanda

Caros amigos blogueiros,

Como deve ser do conhecimento de todos esse ano é ano de eleições para Presidente da República, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual.

Tenho visto inumeras chamadas na televisão ou em cartazes espalhados pela cidade em ônibus e Metrô informando prazos para emissão ou reemissão do título de eleitor, isso me levou a uma série de reflexões sobre política, poder público, justiça entre outros tantos temas.

Numa dessas reflexões me deparei com a seguinte lembrança, certa vez em um evento religioso conheci um rapaz que se dizia umbandista e que tinha contato com políticos que o procuravam em busca de ajuda espiritual.

Fiquei me perguntando se o que realmente esses políticos procuravam com esse rapaz era realmente auxílio espiritual ou se algum "trabalho" para ganhar eleições.

Também me questionei quanto ao fato de pouquíssimos políticos assumirem publicamente sua fé seja Umbandista ou Candomblecista, qual é o demérito disso? 

Certamente o que os move a se comportar de forma indigna quando procuram nossos terreiros em dias de gira, entrando escondidos ou depois que todos já saíram, afirmo com toda certeza, é o medo de perder votos de eleitores católicos e evangélicos e perder o apoio político da bancada evangélica nas instâncias políticas.

Apesar disso tudo muitos candidatos em época de eleições não tem vergonha alguma de vir aos nossos terreiros prometendo apoio, mundos e fundos, em troca de votos, que via de regra nunca vemos sair das promessas de campanha.

Confesso que por muito tempo fui do time que defendia a bandeira "Religião e Política não se misturam", mas como ficar alheio à política sendo que cada dia que passa fica mais difícil abrirmos ou mantermos nossas casas face ao preconceito e intolerância religiosos?

Caros irmãos, já se deram conta de que a bancada evangélica dentro do senado e câmaras dos deputados e vereadores cresce a cada eleição?

Em breve terão maioria absoluta nas deliberações e nos veremos devolta à época em que muitos Pais e Mães de Santo eram obrigados a tocar suas giras escondidos, na clandestinidade, com medo de que se seus atabaques fossem ouvidos pela polícia ou visinhos poderiam ser presos e sofrer agressões físicas e morais.

Será que é realmente isso que queremos para nós?

Eu posso dizer por mim, não é isso que eu quero pra mim!!!

Oras a Constituição Nacional nos garante a liberdade de crença e culto, quero fazer valer esse direito, não quero nem pensar na possibilidade de mexerem na constituição e revogarem esse direito básico que nos assiste.

Nas últimas eleições algumas pessoas que pertencem ao meio Afro-Religioso se lançaram candidatos sem lograr êxito, mas se levarmos em consideração a quantidade de votos até que tiveram uma votação expressiva.

Mas como saber das reais intensões dessas pessoas, como ter a certeza de que ao entrarem lá não serão como todos os outros sanguessugas que lá estão?

Complicada essa questão não é mesmo?

Aí nos deparamos com a problema da falta de consciência de memória política do brasileiro.

Para muitas pessoas o dia de eleição é meramente mais um feriado e ou simplesmente não vão votar ou justificam sua ausência.

Por outro lado o Brasil é um dos poucos países em que o voto é obrigatório, o que nos últimos anos, desde que comecei a votar, aos meus dezoito anos, boa parte dos votos são votos levianos e irresponsáveis.

Diversas vezes ouvi de amigos de escola e faculdade: "Vou votar no meu nome é Enéas, já que eu tenho que ir lá, vou zuar o barraco!!!".

Votos desse tipo nos fazem correr o risco de por qualquer pessoa no governo, ou alguém que sabemos não tem compromisso com o país ou alguém inexperiente e despreparado.

O fato de até hoje não termos alguém no poder público que nos defenda e faça valer nossas necessidades e anseios é o fato de a comunidade umbandista ser totalmente desunida.

Tenho certeza que a comunidade umbandista não se resume aos poucos votos confiados aos últimos candidatos umbandistas que pleitearam o cargo, certamente é muito maior, mas por diferenças pequenas de convicções religiosas acabam negando à comunidade a possibilidade de ter um representante nosso nas câmaras ou no senado.

Fica a reflexão.

Um abraço fraterno.

D A N I E L

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