Representatividade do axé no Poder Público
Salve, salve, Galerinha do bem!!!
Falar sobre a presença de praticantes e lideranças de religiões de matriz africana — como o Candomblé e a Umbanda — nos espaços de poder do Brasil não é apenas uma discussão sobre política, mas sobre a própria saúde da nossa democracia. Quando olhamos para o Congresso Nacional, para as Assembleias e para as Câmaras Municipais, o que vemos nem sempre reflete a cara do país. Trazer essas vozes para o centro das decisões é uma questão de justiça histórica, de respeito à liberdade religiosa e de combate direto ao racismo que ainda estrutura a nossa sociedade.
A Constituição garante que o Brasil é um Estado laico, mas, na prática diária da política, a realidade costuma ser bem diferente. O Legislativo é dominado por visões religiosas hegemônicas, o que acaba direcionando leis, recursos e debates públicos para um único lado. Ter parlamentares comprometidos com as tradições de matriz africana ajuda a quebrar essa hegemonia. Não se trata de impor uma fé sobre outra, mas justamente do contrário: de garantir que nenhuma religião passe por cima das demais e que o Estado seja verdadeiramente de todos.
Existe também uma urgência concreta nessa representação: a segurança física e jurídica dos terreiros. As religiões de matriz africana continuam sendo as maiores vítimas de intolerância, vandalismo e violência no Brasil. Quando uma comunidade não tem quem fale por ela onde as leis são feitas, os crimes de ódio acabam banalizados. A presença nesses espaços ganha força para cobrar a apuração da polícia, exigir punição para os agressores e criar mecanismos que protejam os terreiros como patrimônios culturais e históricos da nossa terra.
Além da questão religiosa em si, os terreiros desempenham um papel comunitário e ambiental gigante nas cidades. Eles funcionam como polos de acolhimento social, de preservação da memória e de cuidado com a natureza — afinal, o respeito às matas e às águas é parte central do sagrado para essas tradições. Ter vereadores e deputados atentos a essa dimensão faz toda a diferença na hora de discutir um plano diretor municipal, proteger áreas verdes urbanas ou destinar verbas públicas para projetos culturais periféricos.
No fim das contas, a política só é justa quando todos os grupos que formam o país conseguem se enxergar nela. Abrir caminho e garantir espaço para as religiões de matriz africana nos parlamentos não é nenhum favor; é cumprir o básico que se espera de uma democracia de fato livre, diversa e que respeita as suas próprias raízes.
Um abraço fraterno a todos
Pai Japa Umbandista
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